Quero navegar em Pessoa...
Tudo para ele valera a pena?!
Quero que a mim valha
Desejo de mergulhar em Fernando
Pode ser em Noronha vencendo os medos
ou no poeta tentando desvendar aquela alma...
Uma existência marcante,
uma outra quase imperceptível,
cada um tem seu momento,
um parecer inesquecível.
Não existe páginas em branco,
seja um milionário,
um mendigo,
ou um solitário.
Seja uma passagem curta,
porém intensa,
Uma vivência longa,
porém sem sustos, amena.
Cada um faz sua aventura
traça a sua vida,
ou é levado por ela,
teremos algum dia uma desventura.
Aquele eremita,
tão estranho, tão só,
em meio a natureza.
Só também se é
em meio a multidão que nos cerca,
mas o eremita fez a sua escolha
e naquela “solidão”
com ele a sua paz, felicidade esteja.
E talvez aquele na multidão,
esteja ali porque foi jogado,
pelo mundo foi tragado,
um malandro,
um trabalhador,
um bêbado,
um jogador,
um viciado,
Cada um tem o seu significado,
pela sociedade o ser é qualificado,
o humano dever ser estereotipado.
Nada passa em branco.
Escolhas ou não que fazemos,
Erros e acertos...
E somente com o tempo percebemos
que nada pode ser apagado.
Ganhos e perdas,
Uma vida feita de jogos,
Cartas marcadas.
Conquistas e comprometimentos,
ao final de um ciclo...
Desalentos.
Emoções que do nada surgem,
aquele raio que traz a luz,
como um anjo te conduz,
mas por fim te destrói, é dor,
E é final da chama,
não há quem te ama.
Sim agora carregue a cruz!
Estar no calvário,
Vivenciar,
uma paixão que aflora,
cresce e desabrocha,
após a conquista
o alguém te ignora.
Cuidado ao cativar,
uma ilusão se cria
e quando se está só
o peito chora
Ledo engano
o esperar,
aquele que irá chegar,
te tocar,
parecer amar,
surgir e partir.

É esse o rosto...lá distante,
intrigante e envolvente,
De repente na luz
de mansinho chega o todo.
Cerca e me toma,
Suga o meu ar,
leva a minha fala,
atenta o meu ouvido,
arrepia a minha nuca.
Sem consentimento
invade o meu corpo,
bombeia o meu sangue,
esmaga o meu fígado,
tonteia as minhas pernas,
levita os meus pés,
confunde a minha mente,
arrebata a minha boca,
chega ao meu ventre,
penetra o meu íntimo.
Com fúria e suavidade
carrega a minh'alma,
enlaça os meus braços.
O medo por vezes repulsa,
mas o meu coração pulsa e “impulsa”
bate coordenadamente ligeiro
e me arremete sem nexo
num descompasso marcado,
num batuque
que faz um sonoro prazer
de um amor,
de um coração,
de um gozo,
de um viver.

Eis a janela
Traz um pouco do mundo
Permanecer por trás dela?
Idéia falsa de proteção
E o olhar avança através dela,
Árvores e postes,
Pássaros voando
Morteiros explodindo
Um minuto de silêncio
Barulho de carro passando...
Ouvir e enxergar tudo...sensações
E nessas grades, segurança de que?
De mim ou dos outros...
Mesmo com a janela aberta,
o corpo continua trancafiado.
E tão somente o pensamento se liberta,
Poder ir as nuvens,
alçar vôos numa pipa.
Parar e olhar para baixo.
tontear e sentir aquele imã
que te leva para o abismo.
E as grades te salvam,
Impedem o salto,
de chegar ao asfalto,
de repente a sorte,
não te levará a morte.
Desejar o céu,
e querer o chão
E o melhor é apenas
ter a visão do horizonte,
Ali ao longe,
onde poderia estar,
Alcançar o que não se pode ter,
ali onde o por-do-sol
traz a falsa sensação
de que toca na terra e se esconde
O distante dá forças
para transpor as grades
que impedem a saída da janela.

Por que a perfeição?
Se a imperfeição atrai.
Gostar do mais salgado,
Daquele excesso.
Como é bom salgar...
Desejar a pimenta,
Aquela que vai acalorar.
E o chocolate?
Hum...vai engordar.
Viver na fossa,
Nela se afogar,
Querer o fogo,
Nele se queimar,
E depois se atirar no mar.
Jamais se limitar.
Precisar errar?!
Ser somente você...
Pecar, viver e arrepender
Deixar-se cair,
É preciso quebrar,
Os cacos juntar,
Transformar-se.
Com essa vida brincar.
Ser uma obra-prima ao seu modo.
Essa confusão que atrapalha.
Mas essa é a graça da falha,
Uma louca inconstância.
Como uma rosa cheirosa.
Que ao ser tocada te sangra,
Com os seus espinhos traiçoeiros,
Deliciosamente perigosa,
Mais que estranho desejo,
Querer a rosa,
Aquela que a qualquer tempo
irá te fazer chorar.

VIVER E MORRER
Viver e morrer a cada dia
Sim já disseram isso...
Aproveitar a vida.
Um acordar e desfalecer constante.
O soprar do vento,
num único instante,
Vem, envolve-me e some,
Faz-me feliz,
aquele milésimo de segundo,
o inesquecível,
o melhor na lembrança,
sim é a felicidade,
É danada, é passageira,
E a persigo e corro
na busca do sorriso,
aquele que me inebria,
Chega e me traga e me afaga
num tempo mágico,
que num piscar repentino
torna-se infinito.
É minha história
é vida e finda na morte,
que se faz eterna
em minha memória.