Os meus ouvidos sabe encantar
Em sua segurança hei de voar
De olhos fechados
chego ao teu abraço
No peito que me acalanta
Acaricia-me e não me espanta
Deixa-me aconchegar
Canta como um anjo
que me traz a luz
essa voz que seduz
alegra a minha alma
mantem uma calma
que em beleza se traduz
aperta a minha mão
e traz consigo o coração
Aquece-me
e não me deixa chorar...
colhe a minha lágrima
e a transforma em riso
Em seu olhar me protejo
vou sem medo de pisar em brasa
em sua coragem me guio,
desejo de chegar aos céus,
és o anjo que me conduz,
e mesmo no chão
faz-me sentir no alto,
consegue trazer o calor
e num instante
com um sopro
em minha nuca sinto a brisa
é o frescor dos seus lábios
és o fascínio, homem...
toca-me
em carne o pecado,
em espírito a inocência
e faz-me sentir
mais próxima de Deus.
Sozinha em minha mente...
Lá onde somente eu posso estar...
No lugar onde o ego supera o amor...
Batalhas homéricas,
Pensamentos recorrentes
Querem me levar a ruína
O egocentrismo impregna
Não há como fugir de si próprio.
As palavras estão em mim.
Marteladas intensas
Não param...
A surdez não existe...
As idéias, falam, sussurram, gritam...
Não me levarão a insanidade,
apenas levarão o meu sono por um tempo
Ah! Esse tempo que se faz tão duradouro...

Não esperar nada
O ideal...
Almejar não sentir dor,
Mas ao sentir o amor
como consequência
têm-se a dor.
Viver em constante temor,
a angústia do esperar...
sufocar ou esbravejar?
Melhor adormecer e anestesiar
E como Romeu e Julieta
somente vivenciar aquele momento
de discussão sobre quem canta
se seria o rouxinol ou a cotovia,
mas a felicidade é breve
e acaba-se em veneno.
O amor e seus diversos sabores
Saber doce,
Saber amargo,
Saber salgado,
Saber azedo,
Uma mistura de fases, de sentidos...
Saber apimentado
Saber aguado
Saber gostoso
Saberes, sabores, dissabores
Um amor: diversos gostos,
diversos estados,
Ele congela,
ele ferve,
ele evapora
De repente do abismo
chega-se as nuvens
é o momento crucial
a entrega
e não mais se teme
a elevação,
ou a queda
beber o veneno...
és Romeu, és Julieta
Quero navegar em Pessoa...
Tudo para ele valera a pena?!
Quero que a mim valha
Desejo de mergulhar em Fernando
Pode ser em Noronha vencendo os medos
ou no poeta tentando desvendar aquela alma...
Uma existência marcante,
uma outra quase imperceptível,
cada um tem seu momento,
um parecer inesquecível.
Não existe páginas em branco,
seja um milionário,
um mendigo,
ou um solitário.
Seja uma passagem curta,
porém intensa,
Uma vivência longa,
porém sem sustos, amena.
Cada um faz sua aventura
traça a sua vida,
ou é levado por ela,
teremos algum dia uma desventura.
Aquele eremita,
tão estranho, tão só,
em meio a natureza.
Só também se é
em meio a multidão que nos cerca,
mas o eremita fez a sua escolha
e naquela “solidão”
com ele a sua paz, felicidade esteja.
E talvez aquele na multidão,
esteja ali porque foi jogado,
pelo mundo foi tragado,
um malandro,
um trabalhador,
um bêbado,
um jogador,
um viciado,
Cada um tem o seu significado,
pela sociedade o ser é qualificado,
o humano dever ser estereotipado.
Nada passa em branco.
Escolhas ou não que fazemos,
Erros e acertos...
E somente com o tempo percebemos
que nada pode ser apagado.
Ganhos e perdas,
Uma vida feita de jogos,
Cartas marcadas.
Conquistas e comprometimentos,
ao final de um ciclo...
Desalentos.
Emoções que do nada surgem,
aquele raio que traz a luz,
como um anjo te conduz,
mas por fim te destrói, é dor,
E é final da chama,
não há quem te ama.
Sim agora carregue a cruz!
Estar no calvário,
Vivenciar,
uma paixão que aflora,
cresce e desabrocha,
após a conquista
o alguém te ignora.
Cuidado ao cativar,
uma ilusão se cria
e quando se está só
o peito chora
Ledo engano
o esperar,
aquele que irá chegar,
te tocar,
parecer amar,
surgir e partir.

É esse o rosto...lá distante,
intrigante e envolvente,
De repente na luz
de mansinho chega o todo.
Cerca e me toma,
Suga o meu ar,
leva a minha fala,
atenta o meu ouvido,
arrepia a minha nuca.
Sem consentimento
invade o meu corpo,
bombeia o meu sangue,
esmaga o meu fígado,
tonteia as minhas pernas,
levita os meus pés,
confunde a minha mente,
arrebata a minha boca,
chega ao meu ventre,
penetra o meu íntimo.
Com fúria e suavidade
carrega a minh'alma,
enlaça os meus braços.
O medo por vezes repulsa,
mas o meu coração pulsa e “impulsa”
bate coordenadamente ligeiro
e me arremete sem nexo
num descompasso marcado,
num batuque
que faz um sonoro prazer
de um amor,
de um coração,
de um gozo,
de um viver.