Tão longas essas noites frias,
vêem e parecem infindáveis,
permanecem sombrias
Nesse quarto fechado,
o meu corpo estático
em tempo congelado
Passando pra alma a frieza,
contaminando o todo,
gerando tamanha tristeza
Por vezes perco a consciência,
e mergulho num abismo
tão absoluto em divergência.
O frio que trava a minha boca,
faz trincar a minha mente,
parece sempre tão oca.
Não há que se entender a loucura.
essa solidão que me envolve
é torpe essa eterna fissura.
Em mim ferve em ebulição,
gritante é meu pensamento,
somente nele está em ação
Discussão mental acalorada,
a minha essência contraditória
prossegue por fora calada
O meu espírito está trincado
sem forças, não se move
o meu corpo revoltado.
Na busca do inalcançável
todos vamos
insatisfeitos com tudo
esse mundo
não é o bastante
Ambições
que nos movem
o outro ser torna-se
um mero objeto
que pode ser esmagado
tudo é válido
pra ser reconhecido
a ética inexiste
o importante
é o poder
ser abastado,
ser idolatrado.
Nobreza em riqueza
Alma de pura pobreza
Queira!
Seja!
Possua!
Se necessário
destrua
Chegue ao topo
Se não conseguir
Um nada será.

Mãos sentido
mais aguçado
elas moldam,
desenham
e olham
Fazem comer
E num toque
acariciar
num instante
te esbofetear
Mâos que
amassam,
se chegam
e apertam.
fazem chorar
num beliscar
E cócegas
pra sorrir
Mãos que falam
Áqueles que não falam
Mãos que olham
àqueles que não olham
Elas afagam,
empurram,
e matam.
Nos gestos
ofendem,
consolam
e amam.
Elas te chamam
Acenam
e te dizem adeus...
Pelos pés
maltratados
sigo no mundo
desconhecido
os protejo e os
destrato
deixo-os
calejados
Partes de mim
que escondo.
Necessito deles
mas os trato com
descaso.
No calor sufocados,
na chuva ensopados
Invisíveis a mim
sinto quando são
pisados,
os dedos sendo
esmagados
Essenciais ao
dançar,
exigidos
com precisão
não podem falhar,
Seguem
mesmo na dor
a passos
firmes.

Não sei o que é o amor.
Ser amado o que é?
Amor de homem e de mulher,
ou seja lá de que tipo é.
Jamais ouvi: Eu te amo...
palavras desconhecidas,
por muitos sentidas
e por mim não vividas
Amar ?....explicar?
Não sei dizer,
talvez jamais
saiba o que seja,
Será o destino
da maioria dos poetas?
Sofrer e não ser amado,
viver isolado.
Oh! Tristeza!
Melancólica beleza.
Envolvido em mistério.
Um abstrato desconhecido
por mim ainda não sentido,
sentimento incompreendido.
Parece chegar por um instante
e num piscar...com pesar
fica cada vez mais distante...
Não sei quem sou,
nem anjo, nem demônio
um alienígena ou um ser humano?
talvez se olhar em meus olhos,
descobrirá quem sou...
Quiçá com a ajuda do seu olhar,
poderei saber quem realmente sou.Nem anjo,
nem demônio,
se sou humano
não serei eu
angelical
ou infernal,
talvez
seja
o déficit
de bondade
ou superávit
de maldade.
Seria eu a loucura
em demasia?
Chegando
ao ápice
faço o bem
e pratico o mal
insanamente.
Atiço o desejo
e me retraio
em instantes.
Brado,
xingo e choro,
silencio e oro.
Do pecado
ao arrependimento,
lamentação...
peço perdão.
Tão distante
e tão perto,
o ausente
presente
em minha mente.
Um alguém
tão diferente,
o meu oposto,
onde me espelho.
Como pode
alguém
tão igual?
Telepatia
em sintonia.
Gêmeos
em contraste,
homem e mulher
desiguais
tão parecidos,
por amor
a um time
unidos.
Um no outro
refletido,
somos um
repartido.
O belo Pierrot
solitário
em nosso
imaginário.
Em nossa poesia
alegria e
melancolia.
Confusão pura
se mistura
O meu outro eu
divino surge
serei eu ele?
ou ele sou eu?
Não sei,
mas sinto
em nossa calma
que somos
uma única alma.